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17 de Novembro de 2018

“Faz Direito!”, dizia minha mãe

Eu tinha 17 anos, estava no terceirão e havia decidido cursar Publicidade e Propaganda. O Direito nem passava pela minha cabeça.

Cintia Brunelli, Auxiliar de Judiciário
Publicado por Cintia Brunelli
há 4 meses

No alto dos meus 17 anos, havia formulado a seguinte teoria: “ou o trabalho é legal e mal pago, ou é chato e bem remunerado”. Assim, com um bocado de crenças limitantes na cabeça, eu conclui que não queria ser infeliz em um serviço inóspito e optei por ser uma “pobre feliz”.

Foi dessa forma como entrei na graduação de Publicidade e Propaganda.

E eu fui feliz?

Não.

Embora o curso de Publicidade permitisse explorar meu lado mais criativo, eu sentia um enorme vazio. Fui percebendo que jamais conseguiria passar o resto da vida simplesmente auxiliando marcas a crescerem e obterem lucro. Eu precisava de mais conteúdo e queria poder fazer a diferença (de verdade) na vida de alguém.

Terminei o curso de Publicidade e, após a formatura, comecei a trabalhar em agências de propaganda em Florianópolis. Quanto mais o tempo passava, maior era a certeza de que eu precisava mudar de direção.

Minha teoria de que estaria em um trabalho “legal e mal pago” caiu por terra. Mais madura, eu conclui que poderia ser bem remunerada dentro da publicidade. Contudo, as expectativas de que teria satisfação com o dia a dia de publicitária não se concretizaram.

Por outro lado, eu não tinha a menor ideia de como fazer essa mudança na minha vida. O que fazer? Por onde começar?

Então a vozinha da minha mãe começou a ecoar na minha mente: “Faz Direito! Faz Direito! Faz Direito!”

Agora? Começar do zero, sabendo que estarei formada apenas aos 30 anos?

Encarar uma turma de alunos recém-saídos da escola?

Voltar às aulas de filosofia, sociologia, antropologia?

Sim! Sim! Sim! Eu quero isso!

Movida pelo meu coração, abandonei totalmente a publicidade e ingressei no curso de Direito, para a alegria da minha querida mãe.

Aquele recomeço que parecia tão longo e difícil se tornou, no final das contas, um caminho de grandes descobertas – sobre o mundo jurídico e também sobre mim mesma. Mergulhei no mundo de leis, doutrinas, jurisprudências, costumes... Degustei cada semestre, cada disciplina e me formei como a melhor aluna da turma, com média 9.5, totalmente entregue ao meu novo amor.

Talvez o Direito seja, hoje, uma paixão tão duradoura justamente por ter surgido em minha vida de mansinho. Foi como um encontro tardio de almas gêmeas.

Sinto enorme gratidão pelos anos como publicitária, que me permitiram desenvolver minhas habilidades de comunicação social. Se tivesse optado muito jovem pelo mundo jurídico, talvez o canal Jus Juridiquês não existisse e eu não estivesse aqui, nesse momento, escrevendo esse texto para vocês. A Publicidade abriu minha criatividade e o Direito a encheu de conteúdo.

Para aqueles que estão em dúvida sobre seguir o Direito ou outro curso, o que tenho a dizer é: siga seu coração, ele está sempre certo! Ouça sua intuição, pois só ela sabe qual é sua missão de vida.

O caminho pode não estar claro agora, mas vai ficar se você seguir caminhando.

Caso você decida ingressar no Direito: seja bem-vindo! Caso se apaixone, não esqueça de vir me contar, pois vou adorar saber.

Bons estudos a todos!

8 Comentários

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Que relato, @cintiabrunelli! Eu sempre me pergunto como podemos escolher o rumo profissional aos 17, 18, 19 anos, sem nem saber o que na prática se faz naquela profissão. continuar lendo

É verdade! Como escolher uma carreira, quando mal nos conhecemos? Penso da mesma forma! continuar lendo

Parabéns! Ótimas ponderações, compreendo sua paixão pelo Direito, pois é a minha também. No meu caso migrei para o Direito quando ainda cursava o 4 semestre de administração, seguindo o meu coração. Obrigada por compartilhar. continuar lendo

Nosso coração sempre sabe o que é melhor. Que bom que você também é uma apaixonada! continuar lendo

Que texto maravilhoso Dra.
Eu sempre quis o direito, porém por questões financeiras só pude iniciar aos 24 e terminei aos 29, e penso que foi em uma ótima época. Cada dia amo mais o curso que escolhi e tenho certeza que a advocacia me fará feliz para sempre. rsrsr
Isso que realmente importa, estar feliz e realizada.
O Direito é tão apaixonante e fascinante que amo cada dia mais.
Muito sucesso!
Abraço. continuar lendo

Eu iniciei aos 25 e terminei aos 30. O bom é que estamos mais maduros e aproveitamos mais o curso. Eu também me fascino mais a cada dia! continuar lendo

Que inspiração! É muito difícil escolher uma profissão muito cedo. Na nossa cabeça, não queremos perder tempo, por medo de deixar o tempo passar, e por fim escolhemos algo que não queríamos, ou que não era como a gente pensou. Mas acredito que no seu caso não houve perda de tempo, pois a experiência na publicidade e propaganda te ajudou a ser uma experiente influenciadora na área do direito.
Parabéns! @cintiabrunelli continuar lendo

Sim, é super difícil escolher uma profissão tão cedo! Nessa ânsia de não querer perder tempo, somos pressionados a tomar uma decisão sem estamos preparados para isso. Que bom que a vida é longa e há tempo de remediar as coisas... continuar lendo