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17 de Novembro de 2018

“Ser ou não ser juíza”, eis a questão.

“Você quer ser juíza?” - Como responder a essa pergunta?

Cintia Brunelli, Auxiliar de Judiciário
Publicado por Cintia Brunelli
há 4 meses

No imaginário popular, a magistratura é o objetivo final de todos que estudam o Direito. É como se todas as demais carreiras fossem apenas uma escada, e que, se você estuda com afinco, certamente ocupará o cargo de juiz.

O fato de se dar o benefício da dúvida é encarado como um indicativo de que você não está no pleno gozo de suas faculdades mentais e pode sofrer uma Ação de Interdição a qualquer momento.

Ao longo de minha trajetória de estudante, perdi as contas de quantas vezes me perguntaram se eu queria ser juíza. Mas como responder a um questionamento cuja resposta nem eu mesma sei?

Uma das grandes belezas do Direito está na diversidade de suas carreiras, tão profundas e apaixonantes. É uma espécie de traição ter outras carreiras que fazem seu coração vibrar?

Podem existir espaços para dúvidas em meio à ditadura das certezas?

Até que ponto precisamos realmente justificar a escolha de um caminho que, no final das contas, será percorrido somente por nós mesmos?

Houve um tempo em que eu buscava explicar meus dilemas vocacionais. Contudo, a grande verdade, que eu percebi ao longo do tempo, é a de que não importa a resposta dada.

A pessoa que faz a pergunta, na grande maioria das vezes, está somente projetando aquilo que ela mesma faria, se estivesse no meu lugar. Ao indagar se eu quero ser juíza, no fundo, ela responde algo a respeito de si própria.

Hoje, quando me perguntam se quero ser juíza, respondo simplesmente: “você acha que eu seria uma boa juíza?”

E você, o que quer ser?

18 Comentários

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Acho que a magistratura, assim como as ciências médicas, exige vocação. De nada adianta conhecer todo o direito positivado se não houver, nas decisões, uma pitada de humanismo. Imparcialidade não implica perder o senso comum. Já vi sentenças que se fundam na "letra fria" da lei e, em muitos casos, trazem uma grande sensação de injustiça. continuar lendo

Concordo! Tem que ter vocação, mas a maioria faz por "status social". Quem perde é a sociedade. continuar lendo

Concordo totalmente! Magistratura exige vocação. É preciso realmente amar o que se faz. Quem busca essa carreira por puro status termina por colocar toda a sociedade em risco! continuar lendo

Fiquei apenas curioso, você prestou concurso para Juiza?

Se sim, quantas vezes ?

Pergunto, se não fez, porque não? continuar lendo

Eu ainda estou concluindo os 3 anos de prática jurídica. Não fiz o concurso nenhuma vez. Me questiono se essa seria realmente minha vocação. Acho uma carreira encantadora, mas tenho alguns dilemas... continuar lendo

Dra. Cíntia, pela sua descrição biográfica, me permita a intromissão de dizer que você seria uma ótima pesquisadora e professora, ainda mais pela dita paixão pelo Direito. Por que? Explico perguntando: o que aconteceria com uma apaixonada pelo Direito, que fosse arrastada pelo turbilhão processual, burocrático e se visse convertida em mera despachante de demandas? Meu respeito aos juízes, e aos Promotores, e aos meus colegas Advogados também, mas em certa parte da minha labuta advocatícia, me peguei algumas vezes com o sentimento de ser mero despachante... vão papéis (agora também petições eletrônicas),,, vem papéis. A rotina que nos acomete em busca do vil metal, e nos adormece para a realidade da matrix, é muito eficiente em nos arrebatar. Mas lhe digo que nunca devemos abandonar nossos ideais. Um dos seus ideais... a paixão pelo Direito... não nos prive dos seus estudos e conclusões sobre o que pode ser melhorado ou mesmo de idéias inovadoras que poderão surgir. Confesso que entrei na faculdade resolvido a prestar, após formado, concurso para a magistratura, talvez movido pelo status de autoridade, por questões financeiras ou para confirmar as apostas positivas de familiares na minha pessoa. No entanto lhe digo que saí resolvido a ser advogado, pois nos meus princípios e ideais mando eu, ainda que tivesse que preencher e despachar formulários para desfrutar dessa pretensa liberdade. É verdade que desde essa época já tinha suporte financeiro, pois desde 1989 era empregado concursado da Caixa, porém mais tarde tive que optar por esta estabilidade em detrimento da labuta nas varas. Mas nunca morreu, nesses 53 anos de vida, a vontade de voltar à advocacia, o que farei após a aposentadoria que se aproxima. Quero muito lecionar também, pois sinto a necessidade de compartilhar minhas experiências na área. Por isso lhe digo... Faça aquilo que lhe fará feliz, porque acredito que a questão financeira se resolve quando você desempenha sua missão com amor, com coração. Desejo muito sucesso a você, em qualquer caminho escolhido. Um grande abraço! (Não se aflija... suas angústias já acometeram outros mortais, e meu sentimento é que no final das contas deu tudo certo para os verdadeiros e sinceros) continuar lendo

Adorei seu comentário! Obrigada por compartilhar sua experiência comigo. Eu me sinto exatamente como você mencionou: talvez eu deva ser pesquisadora e professora. Aliás, já tenho um canal no Youtube (Jus Juridiquês) em que exerço, de certa forma, esse papel. Hoje sou servidora do Poder Judiciário, mas às vezes penso também na advocacia... As opções de carreiras são tantas que é difícil escolher kkkkkk! Beijão! continuar lendo

Querer e poder!
Muita gente queria ser juiz... tipo o Dias Toffoli... mas poucos passam na disputa tão acirrada.
A não ser que você seja amigo e acabe sendo convidado... ou que demonstre conhecimento amplo e seja convidado por méritos.
Mas as vagas estão aí para serem preenchidas! continuar lendo

É verdade! Querer não é poder. E mesmo aqueles que podem, muitas vezes, não deveriam... É uma carreira que exige vocação e entrega. Beijos! continuar lendo